Por Claiton Cavalcante

Recentemente lendo uma dessas revistas que tratam sobre reposicionamento no mercado de trabalho, um jovem estudante de Ciências Contábeis demonstrando sua preocupação, questionou, se com o advento das novas tecnologias o curso de Ciências Contábeis estava com os dias contados e consequentemente estaria correndo risco de ser extinto no futuro.

Conforme o Conselho Federal de Contabilidade, há 528.230 profissionais ativos registrados no Brasil, incluindo os de formação técnica e os bacharéis, isso sem contar as organizações contábeis, que somam outras 59 mil. Apesar do grande número de profissionais, há carência de mão de obra especializada. Muitos concluem o curso e ficam parados no tempo, ao passo que a profissão é dinâmica.

O dia 25 de abril, era celebrado o dia do contabilista, até que em 1997, a primeira turma do STJ, ao apreciar o REsp 112.190/RS, decidiu, que não existe a profissão de “contabilista”.

Em seguida, através da Lei nº 12.249/2010, o termo “contabilista” foi substituído pelo termo “profissionais da Contabilidade”. Em função desta mudança, o CFC passou a dizer que no dia 25 de abril se comemora o dia da Contabilidade, abrangendo Técnico em Contabilidade e Contador.

Você deve estar se perguntando, o porquê de todo este emaranhado de números. A resposta é simples, tem o intuito de dizer ao jovem estudante que o advento das novas tecnologias é imprescindível para o desenvolvimento da Contabilidade.

Há de se ter em mente que as ferramentas desenvolvidas na área da informática contribuem para a organização e otimização do trabalho dos profissionais da Contabilidade. No entanto, há decisões, análises e orientações que não podem ser substituídas pelo computador. Aí que entra a expertise do profissional qualificado.

Dissemos que a profissão é dinâmica, assim como a informática. Porém, funções da Contabilidade como auditoria e controladoria nunca poderão ser substituídas por programas de computador.

Neste aspecto não vale inteligência artificial, mas sim indivíduos dotados de atividade mental que possa dar racionalidade ao curso de ações para que as organizações, seja pública ou privada possam atingir seus objetivos. Uma organização sem contabilidade é uma entidade sem memória, sem identidade e sem as mínimas condições de sobrevivência, ou de até mesmo, planejar seu crescimento.

Em outras palavras, Contabilidade também é planejamento. Falando em planejamento, cabe aqui um adendo, de que o poder público planeja bem, mas executa mal. Não podemos dizer o mesmo da iniciativa privada.

Digo aos principiantes na profissão e aos que “pararam no tempo” que o CFC publicou a NBC PG 12 (R2) que trata da Educação Profissional Continuada, cuja atividade visa atualizar e expandir os conhecimentos e competências técnicas e profissionais, as habilidades multidisciplinares e a elevação do comportamento social, moral e ético dos profissionais da Contabilidade.

Qualificação nunca é demais. Com a amplitude da profissão contábil existem áreas de atuação e termos empregados no dia a dia, tais como, contabilidade dos setores aéreo, elétrico, eleitoral, hospitalar, social, enforcement, break even point, compliance, day trade, swap e muitos outros que se o profissional não estiver atualizado, particularmente acho muito difícil que ele saiba o significado e aplicação na prática dessas áreas e termos.

Estudiosos são categóricos ao afirmar que o profissional da Contabilidade no século XXI deve ter um conhecimento amplo e qualificado em função das novas necessidades do mercado, que dispõe de muitas informações em reduzido espaço de tempo.

Por fim, tranquilizando nosso jovem estudante de que a profissão contábil não sucumbirá, ao passo que o profissional da Contabilidade estará fadado ao insucesso caso não saia de sua zona de conforto. Pois já dizia o Senador João Lyra Tavares “trabalhemos, pois, tão convencidos de nosso triunfo”. Parabéns aos profissionais da Contabilidade.

CLAITON CAVALCANTE

Contador. Pós-graduado em Contabilidade Pública pela Universidade Cândido Mendes/ATAME; Controladoria Governamental pela Universidade Cândido Mendes/ATAME e em Direito Tributário com ênfase contábil pela UCAM. Ex-acadêmico de Ciências Sociais da UFMT. Atuou como assessor e consultor contábil em vários municípios de Mato Grosso. Vencedor por duas vezes do Prêmio Estadual de Produção Contábil Tecno-Cientifica Contador Aecim Tocantins (2013 e 2015), realizado pelo CRC/MT. Autor de artigos publicados nos mais diversos meios de comunicação.

 

Escrito por Focados

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