Por Luiza C. de Azevedo Ricotta                                            

                                                                                    “O crime é a materialização do mal”

(Luiza Ricotta, 2016)

A conduta criminosa é assunto de relevância social, seja como prevenção, como meio de propormos barreiras ao seu alastramento, aos cuidados com as vítimas; enfim, pelas mais variadas razões diante de uma dura realidade que é a compreensão do que não é admirável. Sendo uma ação temida por parte de Todos que podem se tornar vítima, com conotação de terror e principalmente fonte de opressão ao ser humano. É uma das piores representações destrutivas que o ser humano pode vir a ter diante de outro ser humano. Aliás, questiona-se o caráter que incide em qual categoria humana se encaixaria, e pensa-se na conduta maléfica. E sendo assim cabe termos uma orientação diante dessa realidade.

A compreensão das motivações psicológicas que direcionam determinados indivíduos à conduta criminosa poderá parecer indigesta ou desnecessária. Queremos evitar! No entanto é pauta diária na vida das pessoas que com estranheza se veem envolvidas de algum modo com a criminalidade, na condição de vítimas. E tais fatos acarretam uma alteração na pessoa quando ocorrem, pois sempre são traumáticos. E geram inúmeras consequências físicas, emocionais, sociais, que vão estar presentes em suas vidas por um bom tempo. Onde há violência e crime, há a memória, o registro destes eventos. E com isso a vítima perde a autoconfiança, vive o medo e a vulnerabilidade. Compreende com isso quão frágil é esse limiar. Para o agressor, fere o que já está ferido nele mesmo e marca as suas vitimas com o que tem depositado em si. Ressoa a atmosfera psíquica doentia, e quando se vê num enredo especifico que contribui e alimenta o seu grau fantasioso, vê as condições para desaguar a carga contida em si mesmo e que sente precisar depositar em outra pessoa. Pois ele próprio não convive bem com o seu próprio mal estar e por isso elege suas vitimas.

Sabemos que muitas das causas do crime estão interligadas à pobreza, a miséria, drogas, prostituição, aos contrastes sócios econômicos, aos transtornos mentais, sexuais e de conduta, mas isso não permite uma associação ao fato isolado, determinando que um cidadão que seja da periferia, com recursos econômicos precários, possa ser um criminoso em potencial. A vida nos presenteia com vários e muitos exemplos contrários a esse tipo de pensamento. O comportamento violento se dá pelas diferenças e especificamente pela intolerância.

Formas de Expressão Criminosas

Há tipos de crimes, violentos, hediondos, agressivos, abusivos. E tudo isso se inicia numa escalada, num enredo marcado por um ciclo que se retroalimenta e em outros casos tem sentido para esta mente cheia de perturbações. Causam perplexidade pelo exagero, pelo descontrole, pela aberração e por um senso de justiça deturpado e até por uma ética própria. E sentimentos sem qualquer conexão com o princípio do razoável.

A conduta criminosa nos provoca horror, medos e por isso façamos tantas barreiras em refletir sobre isso, por elas ultrapassarem por completo a compreensão humana. O homem é capaz de submeter outro ser humano ao sofrimento, ao desamor, à humilhação, às surras, à vantagem da corrupção que nada mais é que doença de caráter, e o fato de considerar-se tão esperto e merecedor de benefícios pois as “vantagens” dão o toque ilusório de sentirem-se especiais, que podem Ter o que outros levariam uma vida inteira talvez. Pois representa a superioridade que o criminoso precisa ter sob o outro. Complementam a fantasia de ser invejado, adulado, envaidecido. Sentem-se assim, superiores e gostam da posição de fazer outros resignarem-se ao seu domínio. É assim com a mulher que apanha em casa, com o funcionário que é humilhado pelo chefe, pelo ex- namorado que mata a ex – namorada quando ela encontra outro para amar, aqueles que desfiguram a beleza do outro pela raiva, dos que se sentem poderosos no transito, da corrupção silenciosa feita para muitos sentirem que não tem o sucesso que o outro conseguiu desconhecendo a forma nada honrosa.

O crime é isso tudo, corrompe pessoas, destrói relacionamentos, geram medo e horror e causam temor social, pois o limiar do potencial criminoso é desconhecido, não se sabe quando irá explodir. É assim com a aquela explosão ocorrida numa discussão que se torna acalorada, onde a medida do razoável é perdida e as ações revelam o desproporcional. “O ponto a refletir é como não alimentar e sair de situações que lhe coloquem neste ciclo que o potencial criminoso lhe inclui”.

É na violência que o criminoso encontra justificativa para destilar sua forma distorcida de ver sua realidade numa conotação única e extremamente peculiar pelo seu viés desviante e fora de proporção. É na violência que o agressor encontra respaldo para punir a todos, pois é esta a sua ambição – responsabilizar as pessoas pelo mal que existe dentro de si mesmo.

Naturalmente que o avanço da criminalidade é uma resposta dissociada do comportamento saudável. E a busca da compreensão do ciclo agressor e vítima que caracterizam esse dilema social tornam-se necessária, para que mais pessoas possam aprender a “ler” tais comportamentos quando eles ocorrem e se retirarem da situação com a máxima habilidade. E ficarem longe, e com racionalidade, afaste-se!

Criem meios de não alimentar a ira do potencial criminoso que em qualquer situação, lhe faça colocar subjugado ou perdendo o “controle” pois não medirão esforços para mostrar a você quem está no comando.

Referencias Bibliográficas

RICOTTA, Luiza C. de Azevedo. Psicologia do Comportamento Criminoso. PR: Juruá Editora. 2016.

RICOTTA, Luiza C. de Azevedo. Quem Grita Perde a Razão: a educação começa em casa e a violência também. SP: Àgora Ed. 2002.

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LUIZA RICOTTA

Psicóloga (CRP 06/26715), Palestrante e Articulista. Mestre em Psicologia pela Universidade Mackenzie, SP.  Formação em Gestão de Pessoas pela Fundação Getúlio Vargas, SP , Formação em Coach pelo Instituto Holos BR e  Formação em Mediação e Conciliação certificado pela Resolução 125 do Conselho Nacional de Justiça.
Pós Graduada em Terapia Familiar Sistêmica pela PUC SP , em Psicodrama pelo Instituto Sedes Sapientiae, SP e como Didata Supervisor em Psicodrama pela Federação Brasileira de Psicodrama.
Profa. de Didática Aplicada a Concursos, Mediação e Solução de Conflitos, Psicologia Jurídica e Psicologia Criminal. Gestão de Pessoas, Inteligencia Intuitiva, Inteligencia Criativa, Liderança.
Consultora, preparadora emocional de candidatos à carreira pública no desenvolvimento de seu talento, habilidades e competências direcionadas para a aprovação e pós-ingresso.  Autora de diversos livros, com conteúdos originais no segmento psicologia e concursos, tais como:
– “Concurso Público: como enfrentar esse desafio! a preparação emocional em concursos”. SP: Rideel Ed. 2011/2013;
– “Vida em Ritmo de Concursos”: vivências e emoções para refletir e seguir rumo à aprovação!” PR: Juruá Ed.2016;
-” Mediação e Solução de Conflitos” (e-book) SP: Saraiva Digital (2016);
– “Psicologia do Comportamento Criminoso”. PR: Juruá Ed., 2016;
-“Valores do educador: uma ponte para a sociedade do futuro”. SP: Àgora Ed,2006;
– “Quem Grita Perde a Razão: a educação começa em casa e a violência também”.SP: Àgora Ed., 1999/2002;
– “O Vínculo Amoroso:a trajetória da vida afetiva”. SP: Àgora Ed. 1996/2002;
– “Me Separei! E Agora? a busca de uma nova identidade após o rompimento conjugal”. SP: Àgora Ed. , 2000/2002;
– Educação e Desenvolvimento: Cadernos de psicodrama,vol. 2. SP: Àgora Ed. 1991 (org.)
– Psicodrama nas Instituições: Cadernos de psicodrama, vol 1. SP: Àgora Ed. 1990 (org)

 

 

 

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