Por Luiza C. de Azevedo Ricotta

A mediação de conflitos é uma importante ferramenta para o profissional especializado, que tem em sua realidade a necessidade de resolução das dificuldades do trato das questões humanas. Sua utilização enquanto prática de resolução alternativa de conflitos (que não judicial) visa uma solução pacificadora, além de ser pedagógica no sentido de propiciar uma espécie de aprendizado na diminuição das arestas, de uma melhor aceitação de opiniões ainda que diferentes, apontando ser possível a compreensão.

Multidisciplinar 

É fato que essa ferramenta não pertence unicamente ao mundo jurídico, é aplicada em diversas áreas onde exista a necessidade de um acordo a fim de termos a necessária continuidade e fluidez para que a vida possa seguir aos envolvidos. Até porque a existência do conflito reside na criação de um impasse, de forças de interesses antagônicas que não encontram uma saída comum por alguma razão, seja porque uma das partes não se sente contemplada ou pelo entendimento de que entrar em acordo não é seu propósito; considerando existir tipos de pessoas que não abrem mão de seu ponto de vista, apenas para não modificar a sua ideia e, colocar o outro, na sua ótica particular”, subjugado à sua decisão, se o seu maior intento é perturbar ou até mesmo incomodar e fazer-se presente de algum modo, pelo desacordo. O problema é uma forma de ligação, um tipo de contato desviado do propósito que é a troca, a compreensão e as realizações que podem fazer a partir disso. Relacionam-se pelo  desprazer, pela dificuldade que criam sobre o outro. Não é agradável para ninguém ter um problema crônico, que não se resolve. Mas se em seu  íntimo seu objetivo for “ter o controle e algum tipo de poder sobre as pessoas envolvidas ou sobre seus interesses”, está criado o impasse e a necessidade de perder tempo com isso.

Dependendo do conflito é possível lançar-se da conciliação, arbitragem e mediação – recursos distintos e aplicados em situações de resolução de conflitos diferentes. Não é a mesma coisa apesar de todos eles objetivarem a solução de conflitos. A conciliação é indicada quando há uma divergência clara e esta é a promotora do conflito, sendo possível recuperar o dialogo a fim de uma solução favorável a ambos. A arbitragem é quando as partes envolvidas não entram em acordo, e não resolvem de forma amigável, necessitando de um árbitro que venha decidir por elas. A mediação tem como propósito recuperar o dialogo frente ao conflito existente, onde a figura do mediador é fazer com que as partes cheguem a uma conclusão. E a solução alternativa de conflitos, assim chamada é o que auxilia a desobstruir a justiça, promovendo o entendimento mútuo e direcionando para a sua solução. Portanto, como viram a abrangência da mediação é extensa. Podendo ser empregada em diversos setores e necessidades. E para isso conta-se com modalidades distintas na sua aplicação, daí a diferença entre elas apresentadas. Para cada caso utilizaremos uma ferramenta.

O caráter democrático da mediação é também um fator muito interessante. Sendo utilizada por diversos tipos de profissionais e locais de trabalho: – universidades, corporações, fórum de justiça, escolas, famílias, delegacias de policia, instituições diversas.

No contexto do trabalho 

Nas relações de trabalho a mediação é muito útil, pois ao nos encontrarmos em crises que emperram determinado objetivo e demandam tempo,  esta surge como promotora de um novo equilíbrio, extremamente necessário para que os trabalhos prossigam e não se distancie do objetivo maior. Se o enfoque permanece na obtenção de poder, o propósito é o ego das pessoas envolvidas e não a produção de trabalhos. E nenhuma empresa sobrevive disso por isso até que precisa ter regras claras que venham gerir todos os seus processos e produção. E solucionar conflitos é uma prioridade como forma de evitar situações emperradas que impedem a evolução do trâmite dos trabalhos sem contar a qualidade do clima organizacional, muito importante e um direito aos profissionais, o de ter ambiente profissional salutar.

Humanização 

Este recurso permite tornar as relações humanizadas, pois  falhas existem e as pessoas, humanas que são,  cometem erros, fazem julgamentos apressados, abrem concorrência e competição com outra pessoa, divergem em opiniões, fazem disputa de poder e outras atitudes, cometendo equívocos ainda que seja difícil admitir.  São geradoras de problemas. Por isso pessoas não envolvidas com o caso em si, são apropriadas para lidar com a questão, e quando instrumentalizadas pela ferramenta mediação e com a neutralidade no caso, é possível ir de encontro a uma saída positiva para ambos, sem que haja algum tipo de desvantagem.

Transformação de pessoas 

Pensamos de determinada forma e quando nos deparamos com as razões que estimulam uma pessoa a agir desta ou daquela forma frente ao impasse, é possível apostar na mudança de posição – o que promoveria outra interação. E com isso a proposta de uma solução diferente. A de poder ver o outro diferente de si, se colocando no lugar dele, enxergando suas motivações frente a posição adotada. Onde até então se desconhecia. Indo para outra esfera e dimensão onde não tão somente habitam os interesses particulares e estritamente de interesses pessoais.

Investir na qualidade das relações humanas e na capacidade das pessoas mediarem seus conflitos é tornar os contextos mais próximos da boa comunicação, da busca pela compreensão, do uso da inteligência. Mediar conflitos representa a aquisição de uma terceira posição diante das partes envolvidas, possibilitando uma nova solução, antes não pensada. Principalmente quando no Brasil já temos a aprovação da Lei de Mediação desde junho de 2015.  O  Brasil ficou devendo por muitos anos a ausência de uma  legislação especifica, baseando -se em modelos estrangeiros como forma de convencimento da necessidade dessa nova mentalidade que adota a decisão entre o que os próprios envolvidos no problema sugerem. é possível levar pessoas a encontrarem soluções sabendo que não estarão contemplando um ou outro, mas que estarão fazendo o exercício necessário de colocar-se no lugar no outro e compreender que em matéria de decisão é possível ir ao encontro de uma posição que os favoreça mutuamente, ampliando a visão da questão e com capacidade de propor soluções, ao invés de investir na manutenção do problema e do conflito enquanto posição estagnada que é, que atua e faz permanecer no protagonismo das partes, sem que com isso possa estimular a compreensão: – que é a única maneira de haver o entendimento entre as pessoas, garantindo por fim a sobrevivência e a viabilidade de uma convivência em sociedade.

Palavras chave: mediação, acordo, conflito, solução de problemas, mediação de conflitos, resolução alternativa de conflitos, convivência social, compreensão mútua, relações humanas, pacificação, tolerância, negociação.

LUIZA RICOTTA é autora do Livro Digital (E-book) MEDIAÇÃO E SOLUÇÃO DE CONFLITOS (visão multidisciplinar) pela Livraria Saraiva Digital.

Acesse: http://busca.saraiva.com.br/ q=Media%C3%A7%C3%A3o%20e%20Solu%C3%A7%C3%A3o%20de%20Conflitos%20ebook&autocomplete_type=historical&autocomplete_order=1&search_id=b6279f0e-22bb-4dd8-9839-deb64bddb0c9

 

Escrito por Focados

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